Trecho do livro

___ Você conhece um escritor chamado José Roberto Torero?

___ Conheço sim, avaliei um livro de crônicas dele num concurso no ano passado.

­­___ E o que você achou?

___ Gostei muito, um dos melhores.

___ E os livros dele para crianças, você já leu?

___ Não, nem sabia que escrevia para elas. Por quê?

___ Porque uma colega historiadora aqui da UFRB mandou para a gente trechos absurdos de um livro que inventa cenas da infância do Luiz Gama dentro de um navio escravagista.

___ Sem novidades, mas me conta o tipo de absurdo?

­­­___ Ele e o outro…

Quatro perguntas e respostas sobre a reivindicação de norma culta para as publicações de Carolina Maria de Jesus

Respondi a quatro questões do jornal Rascunho nas quais discuto decisões técnicas e políticas tomadas pelo Conselho Editorial Carolina Maria de Jesus, no sentido de manter a grafia original de Carolina Maria de Jesus, desafiadas por um debate cujo teor racial é obliterado pela cortina de fumaça da adequação da linguagem de Carolina à norma culta.

1 — Nas novas edições de Casa de alvenaria, de Carolina Maria de Jesus, a Companhia das Letras, junto com um conselho editorial formado especialmente para…

Quando vi a “Ilustrada” de 8 de maio na Internet, saí em busca do jornal impresso. Era início da tarde, só encontrei uma banca aberta e um último exemplar do jornal no bairro multicultural que não tem livrarias.

Findo o ritual de desinfecção ao entrar em casa, peguei uma caneca de chá de hortelã da minha horta e me sentei para ler a entrevista de Sueli Carneiro. Logo descobri que era também uma conversa com Bianca Santana, sua biógrafa.

O texto de Marina Lourenço e Walter Porto é bom, mas termina num sopro. Ainda vasculhei todo o caderno na expectativa…

DEPOIS DOS 100 DIAS EM 1994, NOS QUAIS AS MILÍCIAS HUTUS MASSACRARAM ENTRE 800 MIL E UM MILHÃO DE TUTSIS EM RUANDA, depois de enterrado o que sobrou dos corpos dilacerados, restava reconstruir o país em meio ao ódio, medo, ressentimento, dores de toda sorte, talvez remorso.

Algo que precisa ser reiterado no conflito étnico neste país africano é a atuação implacável do imperialismo europeu como fomentador do ódio entre as pessoas para lucrar ao máximo com o extrativismo econômico.

Muita gente negra jovem que se formou como “liderança política” pelas redes sociais, não soube de Ruanda 1994 de maneira…

ESTÁ AQUI NA PAUTA “ESCREVER SOBRE O ITAMAR VIEIRA JÚNIOR NO RODA VIVA”, mas ainda não assisti (nem a live da Bethânia eu vi) tampouco li Torto arado (li A oração do carrasco). Tenho preguiça de ler livros quando estão muito badalados, deixo a poeira baixar, gosto de me governar embora isso me faça comer mosca ou fazer cara de paisagem em rodinhas literárias.

No final de 2020, por exemplo, um blogueiro estrangeiro, desses que acham o máximo chamar escritora no privado para trocar impressões literárias comentou sobre uma autora X. Eu achei que o rapaz estivesse fazendo aquela confusão…

O grande irmão arma a lona e abre o foco da tela. Em respeito às medidas sanitárias, o espetáculo não acontecerá na arena, estão suspensas as aglomerações oficiais.

Na sala do grande irmão o grupo de assessores que já havia decidido a quem selecionar para o game, agora decidirá quem vai morrer primeiro. Os medidores de audiência fazem a média ponderada do potencial sentimental de cada morte. O quantum de sentimento envolvido.

A equipe avalia quem oferecerá resistência; quem ficará mais desesperado. O desespero rende muitos pontos, todos concordam. Ninguém quer estar no lugar da pessoa desesperada. Por outro lado…

Tão logo meu exemplar de “Estética e raça: ensaios sobre a literatura negra”, de Luiz Maurício Azevedo chegou da editora Sulina, reli “O homem mais azul” e “Tenório e o anúncio da guerra”.

No primeiro ensaio, meu livro “O homem azul do deserto” foi analisado com acuidade, rigor teórico e vigor de linguagem (sem a preguiça dos clichês que costumam me devotar), entretanto, penso que a incursão analítica de gênero feita em “Como se mata uma ilha”, de Priscila Pasko, mereceu mergulho mais fundo e impressões mais consistentes do que a abordagem ao meu texto. Contudo, talvez minha crônica não…

Recebi um convite honesto e objetivo para uma live em janeiro, ao qual respostei com um não sincero. Como muita gente amiga, cheguei ao final de novembro de 2020 exausta e ainda tinha agenda intensa e densa a cumprir em dezembro. Antes que contraponham a mim o pessoal das oito horas de trabalho por dia, a gente do mundo da literatura e das intelectualidades trabalha de dez a catorze horas diárias, não tem sábado e domingo e se esquece dos feriados.

Pois bem, naquela avaliação necessária de fim de ano percebi o quanto ter dito sim a 97% dos convites…

No dia de Obará ganhei um punhado de pequis, importado por afilhados, direto do cerrado mineiro. Não poderia haver símbolo maior de riqueza entregue nesse dia de cultuar a fartura, um buquê amarelo encantando a vida.

Pequi é fruta da infância, estranhamente vendida em litros pelos camelôs das ruas Guarani, Olegário Maciel e arredores do mercado central, em Belo Horizonte. Desde criança achava aquilo curioso, mas parece que a lógica é que os vendedores usavam uma lata de óleo de soja vazia para medir a quantidade de pequi.

Na família só eu e meu pai gostamos, é ótimo, pois sobra…

Quem me conhece sabe que não alimento ilusões, que meu mantra e meu leme desde que conheci Steve Biko, ainda jovenzinha, tem sido “estamos por nossa própria conta”. Sabe também que busco ocupar espaços de poder e decisão e só acredito que o povo negro possa mudar os rumos do mundo ao fazê-lo.

Dito isso, conto uma historinha e vocês vejam como o vento lhes toca. Há uns meses, Sueli Carneiro foi convidada a integrar o conselho consultivo de uma prestigiosa instituição da nação, coisa quase diária em sua vida. …

Cidinha Da Silva

Espaço editado pela escritora Cidinha da Silva, aborda o direito à cidade na perspectiva de africanidades; faz crítica cultural com ênfase em relações raciais.

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